50 perguntas e respostas sobre diabetes

Muitas vezes ler páginas e páginas sobre um assunto pode nos deixar confusos, são tantas informações que parece que ficamos com mais dúvidas do que esclarecimentos. Costumo orientar meus alunos e colegas, que a melhor forma de estudar e entender algum assunto é através de questionários, perguntas e a tentativa de responde-las.

Pensando então nisso, o Ato Saúde, vem esclarecer 50 dúvidas sobre a Diabete, durante 5 semanas falaremos sobre o assunto, 10 questões a cada semana. Acompanhe.

1. PORQUE FALA-SE EM AÇÚCAR QUANDO SE PENSA EM DIABETE?

Diabete é uma doença em que o organismo tem dificuldade para “aproveitar” o açúcar. O açúcar do qual falamos quando nos referimos ao Diabete é a GLICOSE, esse tipo de açúcar é importante para todas as pessoas, ninguém vive sem esse nutriente. Nosso organismo é realmente divino, trabalha de maneira incrível, mas para conseguir trabalhar corretamente é essencial muita ENERGIA. Assim como um carro precisa de combustível para funcionar, nosso corpo, cérebro, fígado, coração e outros órgãos vitais precisam do combustível: glicose, para funcionar.

A glicose é transportada pelos vasos sanguíneos para nossas células. E cada célula precisa de uma quantidade para realizarmos nossas atividades diárias. É importante sabermos que a glicose não vem somente de doces e do açúcar branco, na verdade nem são as fontes mais adequadas.

2. SE NÃO VEM SOMENTE DO AÇÚCAR DE MESA, QUAL A MELHOR FONTE DA GLICOSE?

Vem principalmente dos alimentos ricos em carboidratos, não somente de doces, mas os pães, as massas, batata, arroz e frutas, entre muito alimentos contém a glicose. Cada parte que comemos, após realizada a digestão, nos fornecerá um pouco de glicose e consequentemente energia. Porém, não basta comer é necessário que o organismo aproveite esse açúcar, e é nesse momento que um personagem importante entra em cena: a INSULINA.

3. O QUE É A INSULINA?

Insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas, que permite a entrada de glicose nas células para ser transformada em energia. A glicose não faz NADA sem a insulina. É como se ela fosse a chave para liberar sua entrada dentro de cada célula, sem essa “chave” a glicose fica solta na corrente sanguínea.

A glicose dos alimentos começa a ser liberada na mastigação, e a insulina, em condições normais, é liberada no momento certo. A digestão continua no estômago e consequentemente no intestino. Nesse ponto as moléculas são absorvidas, caindo direto na corrente sanguínea, e o intestino delgado libera um hormônio chamado GLP-1, que é o mensageiro, que vai até o pâncreas para avisa-lo sobre a quantidade de glicose que esta no sangue. Após receber o recado, o pâncreas ativa a fabricação e liberação da insulina necessária, para essa função são chamadas as células beta, que só liberam a insulina para o organismo após receberem sua própria quantidade de glicose, a partir de então, o restante do corpo conta com a insulina para liberar a entrada de glicose nas células e o fornecimento de energia.

4. COMO A INSULINA TRABALHA NO NOSSO ORGANISMO?

Glicose e insulina trabalham sempre juntas, ou deveriam. A insulina é liberada pelo pâncreas e entra em contato com as células em todo o organismo, bilhões e mais bilhões, em nosso organismo. Na superfície de cada uma existem receptores que se encaixam na insulina, como uma chave, disparando uma série de reações químicas que abrem as portas para a glicose entrar. Já dentro da célula, a glicose, finalmente cumpre sua função, fornecendo a energia necessária para ela trabalhar. E quem tem diabete? Acontece assim?

5. A QUANTIDADE DE GLICOSE E DE INSULINA CIRCULANDO NO SANGUE, VARIAM DURANTE O DIA?

Após entendermos que a dupla dinâmica, glicose e insulina, entram em ação depois que comemos, também podemos imaginar que por não mastigarmos 24 horas por dia, esse nível de glicose no sangue por alterar. Por isso a importância de dividir suas refeições durante o dia, pelo menos de 3 em 3 horas, com quantidades e qualidades equilibradas, ou 5 refeições ao longo do dia, para evitar variações bruscas do nível de glicose no sangue. A conhecida glicemia. Mesmo com todos os cuidados, é normal a variação. Se pudéssemos medir a todo instante, verificaríamos que logo pela manhã, ao acordarmos q quantidade de açúcar no sangue esta baixa, depois de uma noite inteira sem ingerir nada. Logo após o café, ela vai subir. E aos poucos baixar até a próxima refeição. Quanto exageramos no tamanho do prato, podemos apresentar um pico de glicose no sangue. E o inverso também, quando ficamos muito tempo sem comer, podemos apresentar o que chamamos de hipoglicemia, a baixa quantidade de açúcar no sangue.

A insulina, deve ser produzida pelo pâncreas em doses precisas para dar conta do açúcar que esta no sangue. Porém, isso não acontece no organismo do diabético.

6. O QUE ACONTECE COM A GLICOSE NO SANGUE DO DIABÉTICO?

A diabete nada mais é, do que do desequilíbrio entre a dupla glicose e insulina. A variação de insulina e glicose, que deveria acontecer, não ocorre como deveria. No organismo do diabético, o pâncreas deixa de fabricar insulina, as vezes é até produzida, mas não consegue atuar corretamente (falaremos dos tipos de Diabete, para que você entenda essa parte melhor). Sendo assim, durante a maior parte do dia o nível de glicose fica acima do normal.

Numa pessoa que não tem diabete, a glicemia ao acordar costuma ser menor que 100 miligramas de glicose em cada decilitro de sangue, após o Café da manhã, pode subir entre 100 e 140 miligramas de glicose por decilitro de sangue.

Para quem é diabético, acontecem picos e quedas repentinas da glicose. Uma montanha russa, muito perigosa. O mais preocupante é que muitas vezes a pessoa não sente NADA.

Quando há a desconfiança, e procura-se um especialista, a doença já avançou e geralmente já há sequelas severas. Por isso chamamos de mal silencioso.

7. QUAIS AS CONSEQUÊNCIAS DE SOBRAR AÇÚCAR NO SANGUE?

Excesso de glicose no sangue causa uma bagunça generalizada no nosso organismo. Primeiro grande problema: o açúcar não é convertido em energia para nossas células. Sobrando e sem função, ele faz mal a vários órgãos. Influencia negativamente, por exemplo, a ação dos rins, que deixam de filtrar corretamente o sangue. Nos olhos, as paredes dos microvasos da retina se tornam mais espessas, diminuindo o espaço para o sangue passar, isso leva a pressão interna, podendo causar hemorragias e até cegueira. O estrago também não deixa livre o coração, o açúcar solto favorece as placas de gordura, que vão entupindo os vasos, podendo acarretar um infarto ou AVC. São alguns exemplos do que o excesso de açúcar/glicose solta no sangue pode causar, na lista é infinita e os problemas afetam dos pés a cabeça.

8. QUAIS OS PRINCIPAIS SINTOMAS DA DIABETE?

Sendo então um mal silencioso, não dói, não causa nenhuma reação mais entranha, não tem idade, hora, local, cor ou raça, devemos ficar atentos a nossos hábitos e principalmente fazer nossos exames periódicos de glicemia para não ser surpreendidos.

Mas existem sinais e sintomas os quais podemos ficar alertas e procurar um especialista para tirar a dúvida, os que merecem atenção: boca seca, sede excessiva, vontade de urinar a toda hora, diminuição de peso sem que haja perda do apetite.

Essas reações juntas tem uma explicação: o corpo começa a fazer uma tentativa desesperada de se liberar do excesso de açúcar no sangue, pela urina. Porém, para produzir tanta urina, os rins não tem outro jeito senão tirar toda a “água” de todos os lugares do organismo, provocando a sede excessiva para compensar a perda descontrolada de líquido.

A fome vem por um motivo curioso, mesmo estando CHEIO de açúcar, por deficiência de insulina esta não entra na célula, e não supre a necessidade de energia, logo as células mandam um recado para o cérebro, que precisam de energia = açúcar = glicose. O cérebro entende que não tem comida disponível e isso aumenta a vontade de comer, inclusive o desejo por doces. Por falta de energia dentro das células, tem outro sintoma muito comum e de alerta, o cansaço e a perda de peso.

9. COMO TER CERTEZA DA DOENÇA?

Como qualquer outra patologia é preciso um acompanhamento, exames e um especialista. Cuidado com diagnósticos dados sem os exames e acompanhamento necessário. Inicialmente o médico pede um exame de sangue que mede a glicemia, realizado após jejum de 8 horas. Caso o resultado seja acima de 126 miligramas por decilitro, duas vezes seguidas, a pessoa é diagnosticada com diabete.

O exame deve ser repetido, mesmo que inicialmente dê normal (entre 70 e 99 mg/dl), pois alguns diabéticos não apresentam alteração na Glicemia de jejum.

Para tirar a dúvida é realizado o Teste Oral de Tolerância a Glicose, também conhecido como Curva Glicêmica, este tipo de exame mede a glicose no sangue em dois momentos: após pelo menos 8 horas de jejum e após 2 horas da ingestão de um líquido com quantidade conhecida de glicose. Este teste também é usado para detectar diabetes ou pré-diabetes. Realizado da seguinte maneira: a pessoa com suspeita de diabetes ingere 75g de glicose diluída em água. Após duas horas de espera, é feita a coleta de sangue para medir a taxa de glicose. Se o resultado for igual ou superior a 200mg/dl (miligramas por decilitro), o indivíduo é considerado portador de diabetes. Se a glicemia estiver entre 140mg/dl e 199mg/dl, então o diagnóstico é de pré-diabetes.

10. QUEM CORRE O MAIOR RISCO DE TER DIABETE?

Como qualquer doença que causa graves sequelas, muitas pessoas não aceitam o diagnóstico. É importante estar alerta aos sinais e sintomas, saber se seus familiares têm diabetes, investigar o histórico familiar, já ajuda e previne um susto.

Também é um candidato a sofrer com excesso de açúcar no sangue, a pessoa obesa e sedentária. A circunferência abdominal avantajada, é um sinal externo de excesso de gordura estocada no fígado e em outros órgãos, sendo esse acúmulo que pode atrapalhar a insulina a exercer seu papel de “chave” para a glicose nas células.

Em geral, homens com mais de 100 centímetros de cintura e mulheres com mais de 85 apresentam resistência ao hormônio produzido no pâncreas e são mais vulneráveis ao surgimento do diabete. Lembrando, que mesmo que você não esteja acima do peso, sedentarismo também pode ser prejudicial, pois a falta de exercício físico regular é um perigo. Nos exames periódicos o médico também vai aproveitar para solicitar 3 exames importantes que indicam condições associadas ao diabete: hipertensão, colesterol e triglicérides.

Nas mulheres, outra pista que deve ser seguida é a dos ovários policísticos, essa síndrome também afeta o desempenho da insulina. Mulher gestantes ou que de a luz a bebes com mais de 4 quilos, também devem ser monitoradas.

 

Continue acompanhando, semana que vem publicaremos as próximas 10 perguntas e respostas sobre Diabete. Trazendo conhecimento e esclarecimento para você.

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